Macarrão Que Ninguem Gosta


Muito ouço da imprensa especializada na Formula 1 a reclamação da formação do chamado “macarraozinho” (paliativo tupiniquim para marbles – bolinhas de gude) nos trechos fora do traçado. Esse dejeto dos pneus acabam por serem espalhados para fora do traçado e atrapalham os pilotos, pois caso aconteça a aderência desse material na banda de rodagem acontece uma considerável perda de desempenho e aderência dos pneus na pista. Mas… por que eles aparecem?

A explicação para a formação desse pequeno problema provem do próprio funcionamento do pneu. A aderência do mesmo acontece por causa do derretimento da borracha no momento do contato com o solo. No caso de pneus para carros de alto desempenho, esse derretimento é ainda mais visível, deixando a borracha no momento do contato com a pista numa consistência muito parecida com a da graxa. E exatamente por obter essa consistência que a aderência acontece, ao mesmo tempo que forma aquele traçado em preto bem característico. Por este motivo que o pneu deve ser pré-aquecido e que os pilotos andam em zig-zag em voltas de ritmo lento, mantendo-o aquecido. Explicado isso fica mais fácil entender de onde vem o macarraozinho, que é a precipitação dessa fase “graxosa” do pneu, que resfria e forma os chamados marbles. Apesar de ser do mesmo composto básico, os marbles acabam atrapalhando o desempenho porque, por estarem sólidos e resfriados, eles aderem ao pneu quente a atrapalham na formação daquela fase de graxa, diminuindo a aderência por tabela.

Esse macarraozinho sempre existiu, mas andou meio sumido das pistas nos últimos anos. O reaparecimento dele meio que se explica se relerem o parágrafo anterior. O pedido da FIA para a Pirelli foi para fazer compostos que durassem menos para assim terem mais pit stops. Sendo assim, basta fazer compostos mais moles que são mais aderentes e menos resistentes. Com uma borracha mais mole, a formação da fase graxosa fica mais fácil e forma mais material precipitado, gerando os marbles após seu resfriamento.

Portanto, se existe a formação deste macarraozinho é conseqüência da mudança de filosofia para o esporte. O aumento desse precipitado é uma proporção direta com o amolecimento da estrutura da borracha. As pesquisas podem ate chegar a compostos que diminuem a formação desse precipitado, mas eles sempre irão existir se continuarmos seguindo esse modo estrutural do pneu. É um problema que pode ser solucionado no futuro, mas apenas quando existir uma nova essência.

Bolhas

Assunto recorrente do GP da Bélgica, as bolhas formadas nos pneus também estao relacionadas com a existência do macarraozinho. As bolhas, assim como conhecemos, sao entradas de ar dentro de uma formação liquida. Considerando que a fase graxosa é uma estado liquido de alta viscosidade, temos a explicação para a existência de bolhas. As bolhas se formam quando uma determinada area do pneu sofre com temperatura de superfície demasiada alta. Essas bolhas provocam falhas na banda de rodagem e com isso diminuem a aderência. O motivo alegado pela Pirelli foi o desrespeito ao ângulo de cambagem recomendado pela fabricante, pois aumentando esse ângulo, a rodagem do pneu fica concentrada em uma area muito pequena, causando super aquecimento nela e assim formando as bolhas por tabela.

Carro de Rua

Agora, se pensarmos para nossos carros de rua, vemos que quase não há formação de sujeira de pneus nas estradas, porem a teoria da aderência funciona da mesma forma para os pneus convencionais. Sendo assim, qual a diferença? Essa aparece num processo muito importante na formação do pneu: a vulcanização. Basicamente, a vulcanização é o aquecimento da borracha para a cura da estrutura molecular da mesma. O que difere nossos pneus aos de corrida, alem do composto da borracha, é o tempo de vulcanização. Quanto maior o tempo do processo, mais dura e resistente a borracha fica, porem diminui a aderência. Essa diminuição ocorre pela maior dificuldade de formar a fase de graxa do pneu no contato com o solo e exatamente por isso nossos pneus duram muito mais que os de corridas. Existe toda uma pesquisa em aprimorar a fase aderente minimizando o desgaste e isso que move as pesquisas das fabricantes de pneus no mundo todo.

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About Carioca

Engenheiro Mecanico, adoro carros e esportes (a soma tambem conta).

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