A Influencia Argentina


Ruben Magnano, tecnico da seleção brasileira

Ola amigos! Retorno hoje ao Futebol nas Coxa comentando um assunto que levantei há exatamente um ano. Naquele momento, o Brasil era eliminado do mundial de basquete pela Argentina, numa partida cheia de emoções e erros, principalmente do lado brasileiro. O conteúdo de meu comentário era uma critica feroz contra o sistema de jogo brasileiro, que, ano após ano, mostrava uma inconsistência nas atuações que irritava e preocupava. Apesar dos amigos do blog não verem dessa forma, eu não conseguia ficar tranqüilo com o que acontecia. Talvez por ter visto a geração de Marcel e Oscar, talvez por estar “mal acostumado” com o basquete acima da media praticado na NBA. Mas a verdade é que não me contentava em ver o nosso basquete jogando mal daquela forma e queria mudanças.

Apesar das exigências, também estava ciente da situação política delicada da confederação naqueles dias, que mudava após um comando muito problemático. O novo comando mostrava vontade de mudar, de fazer o basquete brasileiro voltar à elite mundial. O grande problema do nosso jogo era a defesa. Era muito fácil fazer o Brasil atacar, mas sua defesa era frágil, muitas vezes completamente ignorada. O que resultava em atuações destruidoras, seguidas de jogos completamente esquecíveis, ou até mesmo inesquecíveis, daqueles de se lamentar pelo resto de uma geração. Para mudar essa tendência brasileira, a Confederação trouxe o experiente técnico espanhol Moncho Monsalve, conhecido pela sua “linha dura” e seu exercício defensivo. Não se podia negar que a defesa melhorou, que mostrou resultados como na apertada derrota contra os EUA, mas os momentos de apagão continuavam aparecendo. Isso mostrava que o fator real não era bem técnico, e sim psicológico. Moncho acabou não sendo mantido no cargo, apesar da vontade da confederação em mantê-lo, por querer fixar residência na Espanha, o que desagradou profundamente os brasileiros.

Como diria do velho ditado “Há males que vem para bem”, certo? A saída de Moncho trouxe a oportunidade de contratar Ruben Magnano, técnico campeão do mundo com a Argentina.  Assim como com Moncho, que era estrangeiro, as criticas em cima de Magnano foram ainda maiores, pois ele é “do rival”. O resultado não apareceu logo de cara, mas todos sabiam que era uma questão de tempo. A Copa America de basquete está sendo a prova de que a escolha técnica foi mais que correta. O time ainda tem seus apagões, como aconteceu na derrota contra a Rep. Dominicana e durante mesmo ontem na vitoria contra a Argentina, mas eles são bem menores e vemos hoje um Brasil sem se desesperar no ataque e sabendo defender, sabendo jogar um basquete correto. Os apagões continuam acontecendo e incomodando, mas o progresso está aí, a olhos vistos, para quem quiser ver. Um outro fator importante no trabalho de Magnano é o banco de reservas, contando com talentos novos e que estão entrando bem nos jogos, como o ala-armador Benite e o pivô Hettsheimeir. Pela primeira vez em vários anos, temos um banco de reservas balanceado, capaz de entrar no jogo e manter o ritmo, ou ate mesmo substituir titulares a altura. Muito mais que a aplicação defensiva do time, o banco de reservas foi o que mais me chamou a atenção.

Se o Brasil vai vencer a Copa America e/ou conseguir a vaga nas Olimpíadas é outra historia. O importante é que, pela primeira vez em 20 anos, vejo um time de basquete representando a camisa canarinho, ou algo parecido em vias de se tornar. Não que a geração passada fosse ruim, mas ela foi mal criada e mal acostumada aos sucessos de Oscar e Cia e acabou sofrendo com uma administração largada ao caos. Pode até não ser um completo sucesso, mas parecem estar no caminho certo. Pelo menos, por enquanto.

Notas:

– Ruben Magnano foi ovacionado pela torcida ontem na partida contra a Argentina. Apesar de estar no time rival, ele conta com o respeito e admiração do povo. Os argentinos sabem do potencial dele e espero que os brasileiros saibam igualmente admira-lo.

– Após a incrível e decisiva participação ontem, o pivô reserva Rafael Hettsheimeir ganhou notoriedade nacional. Após segurar Luis Scola a apenas 19 pontos e 11 rebotes e eliminá-lo por faltas, ele ganhou 300 seguidores em seu twitter pessoal em apenas 2 horas.

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About Carioca

Engenheiro Mecanico, adoro carros e esportes (a soma tambem conta).

One response to “A Influencia Argentina”

  1. Pellicciotti says :

    Muito bom!

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