Brazucas na F-1


 

Rubens Barrichello, Bruno Senna, Felipe Massa e Lucas di Grassi

Sendo o ano bom ou ruim para os brasileiros na F-1 isso pode ir pela opinião de cada um, mas todos estão de acordo num aspecto: que ninguém esperava os contornos que o certame iria apresentar para os pilotos de nosso país. Hoje, vou fazer uma rápida analise de cada um deles.

Rubens Barrichello: Talvez teve o melhor ano de sua carreira e ainda mais improvável que isso acontecesse em sua 17ª temporada na categoria, quando todos os pilotos já estão numa curva de desempenho descendente. No começo da temporada, falei que Rubinho, ao assinar com a Williams, estava abrindo mão de disputar por vitorias, mas seria praticamente endeusado dentro da equipe, pois sempre contou com a admiração de Frank Williams. Dentro do time, foi peça importantíssima no desenvolvimento do carro, que começou a temporada como uma verdadeira carroça e terminou como o carro que mais se desenvolveu. Méritos ao experiente piloto, que soube usar sua experiência e seu amplo conhecimento técnico para dar uma boa direção ao corpo técnico do time. Esse conhecimento, aliado ao seu ainda bom desempenho de pista, lhe garantiram mais um ano de contrato. E acredito que ele não saia da categoria ate o final de 2012, pelo menos.

Felipe Massa: Aninho complicado para ele, né? Todos sabíamos que sua luta contra Fernando Alonso seria dura, tanto pela habilidade de um bicampeão como pela sua habilidade política. O que me deixou pasmo foi a atitude da Ferrari no polemico GP da Alemanha, justo quando ele completava 1 ano após o acidente do GP da Hungria. Muito mais que estar perdendo do companheiro, ele estava liderando a prova e não tinha dever algum de ceder a posição. Desde então, seu ano praticamente acabou, pois ficou claro que ele não se esforçou para mostrar resultados. Alias, alguém aqui demonstraria esforço se soubesse que seu trabalho iria dar em nada? Por já ter estado na pele de uma situação assim, entendo bem o Felipe, e como o brasileiro não tem noção alguma de nada, critica sem saber.

Para o ano que vem, ele não pode ser bonzinho. Tem de dividir a curva mesmo, colocar o interesse dele acima do da equipe. Se ele não o fizer, vai perder sempre pro Alonso, que fez exatamente o que mencionei. A situação esta clara: ou ele coloca a faca nos dentes e realmente luta contra seu companheiro, ou a sorte dele está selada e estaria fora do time no final do ano que vem.

Bruno Senna: Facilmente o mais injustiçado. Correu por uma várzea em forma de equipe de F-1, teve problemas de confiabilidade e aparecia apenas no Speed Traps, devido a força do motor Cosworth. Como não marcou pontos, ninguém viu nada relativo a ele e eis o problema de correr por equipes sem competitividade. Assim, fica fácil criticar. O que poucos viram é que Senna superou a TODOS os seus companheiros de equipe, mesmo estando longe dos carros de Formula por 1 ano (ano passado, correu pela Le Mans Series), sendo eles estreantes ou pilotos bem mais experientes. Com o fechamento da vaga da Lotus, suas chances ficaram bem pequenas de correr a próxima temporada. O que acho uma pena, para um piloto que foi digno de elogios durante toda a temporada e que pode não ser genial como seu falecido tio, mas que tem no sangue a habilidade dos Senna.

Lucas di Grassi: Deixei ele por ultimo de propósito. Na minha opinião foi o destaque da temporada. Estreando numa equipe também estreante, de baixo investimento e com um carro revolucionário (feito inteiramente via computador), sofreu com problemas de confiabilidade no começo. Depois que “pegou a mão”, foi sempre rápido e consistente, chegando a superar em algumas situações seu companheiro de equipe, o mais experiente e também habilidoso Timo Glock. Não era a toa que a Renault investia tanto na carreira dele e provou ser a maior besteira preteri-lo ao limitado e inconseqüente Romain Grosjean. É outro que corre serio risco de ficar sem carro, mas suas apresentações o credenciaram bem no paddock. Acredito piamente que, com um carro consistente, pode trazer rapidamente bons resultados a equipe que o contratar.

Confesso que fiquei surpreso a respeito dele, pois esperava um desempenho mediano e ele acabou saindo acima de minhas expectativas. Mas não adianta ficar feliz com isso se ele não conseguir um cockpit para o próximo ano. Acredito que, continuando na categoria, teremos gratas surpresas vindas dele.

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About Carioca

Engenheiro Mecanico, adoro carros e esportes (a soma tambem conta).

One response to “Brazucas na F-1”

  1. Teddy says :

    eu quando li o título do post eu pensei: “nossa, vou ter q falar um monte depois”, mas após a leitura minha opinião muda… terei q falar quase nada… Vejo q eu e o Carioca temos praticamente a mesma opinião sobre os pilotos, desde o grande talento do Rubens que sempre foi injustiçado pelos brasileiros, passando pela situação este ano vivida pelo Massa, ao talento de Senna e Di Grassi.
    Pela mesma razão eu deixaria o Di Grassi por último… Ele é um grande piloto que mostrou seu valor pelas diversas categorias em que passou, na F1 não foi diferente, mas isso também se deve aos altos custos da categoria e a falta de patrocinios a pilotos brasileiros, tudo devido a cultura das empresas brasileiras de não investirem no esporte, principalmente num esporte que não lhe dará benefícios fiscais. As empresas não enxergam o grande ganho de visibilidade, principalmente aquelas que querem tornar-se globais.
    Farei a minha parte para que o Lucas tenha o merecido posto na F1… em breve novidades

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