As Lendas Retornam ao Templo


Como já escrevi antes, a Indycar esta preparando uma mudança técnica para a categoria, que se iniciará em 2012. Na parte de motores, eles serão 2.4 litros, com um maximo de 6 cilindros e bi-turbo (2 turbos, um em cada conjunto de cilindros). E nas ultimas 2 semanas, a categoria anunciou o retorno da Chevrolet, pelas influentes mãos de Roger Penske, e a adição da Lotus, que fará não só o motor, como também pacotes aerodinâmicos a serem adicionados aos chassis da Dallara.

O titulo se deve ao que essas marcas representaram ao passado das 500 Milhas de Indianapolis. A Chevrolet participou da categoria por mais de 20 anos, se tornando o motor que mais venceu edições na era moderna, perdendo apenas para os motores Offenhauser, que dominou a categoria por mais de 30 anos, numa época onde motores caseiros (feitos em pequenas garagens) eram comuns nas corridas. Já a Lotus retorna a categoria depois de revolucionar as 500 Milhas, quando esta fazia parte do calendário da F-1. Seus carros revolucionários e seus pilotos geniais deixaram uma marca na mítica corrida lembrada ate hoje, não só pela revolução tecnológica da época, mas pelo modo europeu de correr, sendo essa diferença misturada a estratégia de corrida dos carros americanos dali para frente. Como nomes, esses retornos vieram a acrescentar em muito o peso da categoria, que andava muito em baixa desde a cisão de 1995. Porem, a maior sacada é uma atração técnica, muito bem pensada pelos membros do ICONIC.

A tendência mundial em matéria de motores é o chamado downsizing, isto é, a diminuição do volume deslocado dos motores (popularmente conhecido como cilindrada). O intuito é sempre diminuir emissões e consumo de combustível, então temos uma relação obvia: quanto menor o volume dos cilindros, menor o consumo/emissão do mesmo. Mas… se diminuirmos demais o volume deslocado, teremos o fenômeno de nossos famosos carros 1.0: o carro que não tem arrancada. Sendo assim, a Europa tem trabalhado demais em soluções para ganhar potencia e torque em motores pequenos, sendo eles a diminuição de atrito e… turbo alimentação. Recentemente, tivemos lançamentos de motores 1.2 com turbo, justamente para termos um volume pequeno e baixa perda de potencia. Falo que foi essa a grande sacada, pois esta incentivando as montadoras a usarem a Indycar como um laboratório dos motores que a tendência mundial esta levando a produzir. Mesmo a Formula 1 esta provendo mudanças para motores turbinados em 2013, exatamente pelo mesmo motivo.

Essa informação que passei acima não é de conhecimento popular, mas já é bastante difundida do mundo da engenharia automotiva. Tenho lido muitas matérias e papers a respeito, alem de presenciar palestras sobre o assunto. Trago esta informação em “primeira mao”, pois o fã comum ainda desconhece essa tendência mundial.Inclusive, vejo esse tipo de mudança com excelentes olhos, em prol do bom uso dos recursos naturais. E justamente por saber disso, a categoria sugere essa mudança, pois ela difunde o lema do combustível verde desde a adoção do etanol em seus carros. E apoiando esta idéia, apenas reforça seu lema de compromisso com o meio ambiente.

Anúncios

Tags:, , ,

About Carioca

Engenheiro Mecanico, adoro carros e esportes (a soma tambem conta).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: