Historias da Indy 500 – 1994


Carro Vencedor das 500 Milhas de 1994, em exposiçao no Museu da Mercedes. Stuttgart, Alemanha.

Faltam 2 dias para o Carburation Day, o ultimo dia de treinos antes das 500 Milhas de Indianapolis. E ca estou eu com mais uma historinha desta mitica corrida. Hoje vou falar da ediçao de 1994 e, diferente das outras historias, nao tem nada a ver com disputas ate o fim ou batidas nas ultimas voltas. Hoje tem mais a ver com a parte tecnica da coisa, com as revoluçoes que uma certa montadora alema trouxe para a corrida.

No final de 1993, a montadora Chevrolet anunciou a saida da Indycar, deixando varios clientes “na mao”. A Penske se aproveitou dessa situaçao e anunciou uma parceria com a Ilmor, montadora inglesa de motores que pertencia ao grupo Mercedes-Benz, correndo a temporada de 1994 com o motor Ilmor. Porem para as 500 Milhas, o motor seria diretamente da Mercedes-Benz, com o modelo 500I. Este motor se mostrou uma verdadeira monstruosidade, gerando

Acionamento por "efeito gangorra"

aproximadamente 1000 cv de potencia, 150 cv a mais que os outros. Muitos diriam que “nao é feitiçaria, é tecnologia”, mas na verdade a Mercedes se aproveitou de uma brecha no regulamento da categoria. Diferente das outras corridas da temporada, cuja formula nao permitia tal mudança, para a Indy era possivel o uso de acionamento por valvulas atraves de um “efeito gangorra”, ao inves do comando de valvulas no alto do cabeçote, sistema usado nos nossos carros de rua. Essa brecha do regulamento permitiu a existencia do monstruoso motor da Mercedes-Benz, ao mesmo tempo a impossibilidade das outras montadoras seguirem a mesma tendencia, ja que estas disputavam a temporada inteira com um motor sem essa brecha, e fazer um projeto apenas para as 500 Milhas iria mandar os custos la na estratosfera.

A Penske tambem nao ficou atras e lançou o chassis PC-23, chassis que correria a temporada inteira da Indycar, mas que estaria começando a ser usado nessas 500 Milhas. Sim, a Penske era uma fornecedora de chassis, fazendo os seus proprios e o revendia para outros times. Essa combinaçao Penske-Ilmor foi um tremendo sucesso em 94, fazendo os 3 carros da Penske ocuparem os 3 primeiros postos na tabela de pontos (Al Unser Jr., Emerson Fittipaldi e Paul Tracy).

Para contar da corrida, coloco uma visao minha de algo que passei vendo aquela ediçao da prova. Como torcedor fervoroso dos pilotos brasileiros que sempre fui, torcia sempre para o Emmo. E dai começou um episodio curioso comigo. Começou a corrida e logo no inicio Paul Tracy saiu da disputa. Com os monstruosos motores da Mercedes empurrando os carros da Penske, a disputa ficou praticamente entre Emerson e Little Al (lembram de 92?). Al começou na frente mas logo Emerson começou a reagir. No momento da reaçao, imaginando que Emerson poderia ganhar a 3a. prova la (havia vencido no ano anterior), ouvi uma voz insistente me falando “ele nao vai vencer”. Dai, ele passou a ser 1o., e a voz insistia: “ele nao vai vencer”. Começava a abrir uma distancia absurda para Al Unser Jr., e a voz tava la: “ele nao vai vencer”. A 25 voltas do final, Emerson estava prestes a abrir 1 volta de vantagem para o Al, ja praticamente com a vitoria nas maos, ate que, quando estava para fazer a volta na cola do outro Penske, Emerson perdeu o controle na Curva 4 e bateu no muro. Logico que isso escancarou as portas para a vitoria de Al Unser Jr., que teve sua 2a. vitoria em Indianapolis.

Apos a corrida e comprovada a eficiencia do “efeito gangorra”, ela foi terminantemente proibida tambem nas 500 Milhas, seguindo assim ate hoje.

PS: Para constar, a media horaria da pole de Little Al foi de 228 mph. Atualmente, a pole foi de 226 mph, pendendo a 227. Mostra o quao incrivel era aquele motor!

***

Aproveito o post sobre automobilismo para falar de uma incoerencia de Bernie Ecclestone (diferentemente do Dunga?). Ele queria um GP nos EUA em um grande centro, como Nova Iorque. Ate ai tudo bem, é mais facil para a divulgaçao da categoria por la. Mas agora ele vem com um contrato para a construçao de uma pista em Austin, Texas. Pera, pera… ele quer construir uma pista NO MEIO DO DESERTO TEXANO para divulgar a categoria? Putz, se fosse para fazer corrida no meio do nada, que fizesse no circuito de Road America, no norte do estado do Wisconsin, que fica literalmente no meio do nada tambem, mas que seria uma bela corrida, dado seu circuito ao estilo de Spa-Francorchamps, bom para os pilotos e para os espectadores. Mas nao, ele prefere fazer gastar rios de dinheiro para fazer um circuito no meio do nada, sem garanbtia nenhuma!

Dessa vez eu REALMENTE nao entendi…

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About Carioca

Engenheiro Mecanico, adoro carros e esportes (a soma tambem conta).

One response to “Historias da Indy 500 – 1994”

  1. Bruno Rosik says :

    Nossa Cari. Cada dia esse blog fica melhor em termos de história do automobilismo! Parabéns!

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