Formula Indy Com Gostinho de Off-road


Ontem tambem tivemos a estreia da temporada 2010 da Indycar (Formula Indy). E a estreia aconteceu num circuito estreante, formado as pressas no Complexo do Anhembi. Circuito que, no começo, torci o nariz para o traçado, mas que se mostrou muito bom para as disputas de posiçoes, tendo 2 retas com mais de 1 km de extensao. Antes de consolidar minha opiniao sobre o novo circuito, coloco aqui um trecho do blog do Erich Beting (http://negociosdoesporte.blog.uol.com.br/), que define exatamente o que o americano pensa de automobilismo. Isso mostra como deve ser olhado o automobilismo americano (bem diferente de nossa tendencia europeia).

Temor dos orgnzadores da Indy

“A cultura americana que faz a Indy existir é a grande responsável pela “loucura” de se fazer a prova no Brasil. O americano entende que, no esporte, é preciso dar espetáculo para o público. Nas corridas, o grande atrativo para o torcedor é ter pela frente uma prova imprevisível, com ferrenhos pegas entre os pilotos, freadas bruscas, marca de pneu no chão, quem sabe até uma ou outra colisão.”

“A Indy traz a síntese desse conceito em seu formato. Os carros têm o mesmo chassi e são equipados com os mesmos motores. Tudo para assegurar que é o piloto, e não a máquina, o grande responsável pela diferença de desempenho do carro.”

O circuito em si tinha muitas elevaçoes, uma drenagem horrivel (por isso a bandeira vermelha no meio da prova) e a poeira levantada na largada, que foi o motivo de Takuma Sato bater e causar toda a bagunça da 1a. volta. Sem dizer que, ao meu ver, erraram em fazer a largada na Reta do Sambodromo, pois ja era sabido que “S” que precede a reta de largada SEMPRE da confusao, ate porque o conceito de curva “S” meio que leva a esse problema. Mas ao meu ver, a organizaçao leva uma nota 5, pois tiveram apenas 75 dias para erguer tudo do zero. Tanto que os proprios americanos

Mapa do Circuito do Anhembi

elogiaram o que pode ser feito em tao pouco tempo. O circuito tem esses problemas e ninguem ta se eximindo disso, mas sao coisas que DEVEM ser melhoradas para o ano que vem.

Para a Band, organzadora do evento, nota ZERO para sua transmissao. O diretor de imagem nao sabia o que fazer. Toda hora que tinha um pega, uma disputa que fosse, ele fazia questao de mudar a camera e cortar a hora mais interessante da prova. Mostrou claramente que entende pouco de automobilismo e nao sabia nada a respeito da pista. para somar, Luciano do Valle tava mais perdido, impossivel. Errava nome de pilotos (ate brasileiros), errava em acontecimentos obvios, as vezes nem sabia o que tava acontecendo na pista… nem parece que ele transmitiu a categoria por tantos anos, sendo salvo em todas as vezes pelo esperto e bem informado Felipe Giaffone, que ja foi piloto da categoria, chegando a ganhar uma prova.

A prova em si foi cheia de variantes, que proporcionou oportunidades a todos de se recuperarem de problemas. Foi normal ver pilotos que largaram bem atras estando em posiçoes a frente, indo e voltando pelo grid (como Helinho Castroneves, que chegou a liderar, mas chegou a estar quase em ultimo tambem) ou ate conquistando podium, como Vitor Meira. Diferente da Formula 1, vimos pegas, ultrapassagens, todos os tipos de variantes. E para somar, a chuva deu um temperinho especial, aflorando habilidades de alguns pilotos em especial. Sim, a Indy tem muito braço duro, mas tem varios bons pilotos que nao sao devidamente reconhecidos. E estes tiveram a oportunidade de brilhar.

Destaques

Vitor Meira

– Ryan Hunter-Reay: Na 1a. corrida pela nova equipe, conseguiu logo um 2o. lugar e quase ganhou a prova. Este é um piloto que vi aparecer para o mundo, sempre com bons resultados. Finalmente, esta numa equipe a altura de sua habilidade. Vejo ele como um dos aspirantes ao titulo.

– Raphael Matos: Logo de cara, conseguiu seu melhor resultado na carreira. Para somar, logo na estreia de Gil de Ferran como seu chefe de equipe. Olho neles, eu falei que Gil tem estrela… tudo que ele cria e constroi, vence!

– Bia Figueiredo: Terminou a prova na volta do lider, com tempos sempre consistentes. Mostrou maturidade e habilidade apos conhecer realmente o carro. Ainda nao fechou contrato para a temporada inteira, mas so mostrou mais ainda que merece um cockpit. Fiquei feliz demais com o que vi.

– Tony Kanaan: Teve o melhor carro do fim de semana, tinha tudo para vencer a prova, mas foi atrapalhado por um erro de Dan Wheldon, que pegou sua traseira. Estava desapontado e com toda a razao.

– Vitor Meira: Este merece mais que todos. Em Indianapolis, Vitor sofreu um acidente que feriu a coluna. Teve 5 meses de recuperaçao e fisioterapia, tendo todo o cuidado e acompanhamento de sua equipe, que tinha acabado de contrata-lo. Ontem foi sua 1a. corrida apos o acidente, e trouxe um inedito podium em mistos para a AJ Foyt Racing. A equipe em si nao tem condiçoes de fazer Vitor concorrer ao titulo, mas este provou seu valor a tudo e a todos ontem. Ele foi 3o., mas foi o grande vencedor da prova.

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About Carioca

Engenheiro Mecanico, adoro carros e esportes (a soma tambem conta).

10 responses to “Formula Indy Com Gostinho de Off-road”

  1. Teddy says :

    Durante minha permanência na pista do Anhembi até arrisquei uns esboços para uma matéria sobre a Indy. Desde o momento em que saí do metrô (a própria organização assumiu que seria impossível disponibilizar estacionamento a tds os espectadores, resolvi pegar o bichinho), percebi o imenso evento que vinha pela frente. Disponibilizaram transporte gratuito a partir do Tietê (estilo quando há eventos no Anhembi) e outros pagos de outras estações.
    Ao chegar à praça 14 biz ví um pouco a desorganização brasileira para evento de grande porte, uma única entrada para a maioria dos portões de acesso e nenhuma informação sobre os portões 3 e 4, somente ao chegar no portão 29 informaram que a entrada era por outro lado, por quê não informar logo no início??? Andando quase 1km a mais, finalmente cheguei na minha entrada (é sou pobre e fiquei no setor 14 Biz, o mais barato do circuito) e me deparei com mais um show de desorganização… não havia telão para o público, ou seja, tinhamos apenas a visão bem parcial da prova, me posicionei na saída dos boxes e pude presenciar a infeliz escorregada de Mario Romancini que tocou o muro e quebrou a suspensão tirando-o da prova, que até então estava muito bem com boas ultrapassagens, porém prejudicado com a permanência dos pneus slicks no momento da chuva, outra cena presenciada foi a ultrapassagem que o Tony fez em cima da Bia e outras desorganizações: havia uma latinha na pista que poderia causar um acidente, faixas publicitárias que se soltaram e até enroscaram no carro de Hunter-Reay (parece que deu sorte, mas nem tanta, o piloto foi ultrapassado nas últimas voltas e perdeu a liderança) e a falta de estrutura para receber o público (quando decidi pagar o menor preço a idéia era que eu economizasse e não eles), bebidas estavam quentes, a comida acabou, a arquibancada não comportava tds e havia gente expremida na grade, entre outros contratempos.
    Esses contratempos consegui observar somente hoje, quando pensei um pouco no que aconteceu alí, mas naquele momento foi só escutar o motor da mulher maravilha Danica Patrick ecoar nos boxes que meu braço se arrepiou e pude sentir a emoção de estar ao lado da pista, nem me importei com os restos de borracha que grudaram no corpo… a cada piloto que saía dos boxes era uma emoção, principalmente na saída de Tony Kanaan, único piloto que cumprimentou os torcedores, ao ver o aceno o público veio ao delírio… e eu fazia parte daquele momento, nem o sol, nem a chuva, nem os restos das rodinhas dos pilotos poderiam estragar aquele momento.
    Foi a primeira corrida de fórmula que presenciei e concerteza não será a última, mas somente a fórmula Indy, pois essa emoção você não sente na F1 que parece até ser 2 categorias em 1, neste ano 3 em 1. Tem a corrida dos que brigam pela vitória, 2 ou 3 equipes, os que brigam por pontos e os que brigam para se manter na pista. Já a Indy é bem equilibrada, todos brigam por posições, somente a Milka Duno que briga para não acertar o muro, e perdeu tds essas brigas no final de semana, é uma categoria que consegue passar a emoção para o público e que desafia os pilotos e mecânicos por serem os únicos que podem mudar o resultado da corrida.
    As demais infos da corrida vcs encontram aí em cima.

  2. Teddy says :

    Aliás, somente uma correção da matéria de vcs: o Tony foi tocado pelo Alex Tagliani e não por Dan Wheldon. Naquela curva o Dan Wheldon errou a freiada e encontou no Alex Tagliani que bateu no Tony… se não fosse isso, o Tony concerteza teria vencido a corrida. Para terem uma idéia ele estava em 14º e chegou em 10º pressionando muito o Helinho… Homem Tocha mandou muito bem!!!

  3. Carioca says :

    Eu sei que tinha sido o Tagliani a acertar o Tony. Mas como foi provocado pelo erro do Wheldon (que é ingles, mas parece americano: nao sabe andar na chuva), eu simplifiquei as coisas. Ah Teddy, obrigado pela sua declaraçao como espectador in loco. Foi muito importante cara!

  4. Bruno 6-3-3 says :

    Muito bom cara! Não sabia que a Indy era legal assim e nem que os carros tinham o mesmo motor! Eu era um desavidado mesmo sobre a categoria e agora vou passar a dar mais valor a ela, porque ela tem o que eu sempre quis na f1.

    Esse pensamento Americano aí de dar show é visto em todos os esportes de lá e é muito bom

  5. Carioca says :

    Bem verdade. Vcs precisam ver o que é falado das corridas da NASCAR que, como atraçao geral, dizem ser melhor. Mas no geral, a ideia é bem parecida. Por isso que to perdendo meus domingos assistindo aqueles carros tb 😀

  6. Teddy says :

    Opa.. só para complementar a info para o Bruno, os carros são equipados com um motor Honda V8 3.5 de 650 cavalos movidos com Etanol Brasileiro, isso sub um chassi Dallara. Aliás, se você quiser comprar um carro de Indy, tudo isso custa R$ 552 Mil, aí é só chamar os mecânicos, comprar umas rodinhas e botar pra correr … claro que antes precisa ser aprovado pela organização da Indy.

  7. Carioca says :

    Muito bem detalhado os dados aí! É exatamente isso mesmo! Faz falta uma disputinha de marcas, mas teremos esse quadro mudado para 2012.

  8. Bruno 6-3-3 says :

    Opa, então tenoh tudo pra correr na Indy. Só falta a grana! Mas blza..
    E a carteira de motorista classe S+ kkkk

  9. Carioca says :

    Carta S+ = super licença. Para consegui-la, faça 300 km de tstes nesse carro e POUCAS barberagens. Nao é tao dificil quanto parece 😛

  10. Teddy says :

    É simples ter a super licença, se até a Milka Duno conseguiu, qualquer um consegue… acho que até a minha mãe consegue… pensando bem, quem foi o louco que deixou ela tirar carta ???? huahauhauhua

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